Conectividade no campo é indispensável para o Brasil dar um novo salto de produtividade


Estudo aponta que até 2025 podem ser gerados US$ 21 bilhões com a conectividade no agro

Em 2050, a população mundial chegará a 10 bilhões de pessoas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura (FAO). Para atender este contingente de pessoas, a produção de alimentos global terá que aumentar 70%, e a conectividade no campo é uma ferramenta indispensável para o Brasil dar um novo salto de produtividade. Esta foi a temática da recente mesa-redonda da TV Estadão, que teve a presença de Alfredo Miguel Neto, VP da ANFAVEA, Renato Coutinho, Especialista em Conectividade da entidade, e Joaci Medeiros da CNA. O último censo agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2017, trouxe à tona o gargalo da falta de conectividade no campo. “Dos mais de 5 milhões de estabelecimentos rurais, apenas 1,4 milhão possuem um ponto de internet no campo”, diz Medeiros. E ter um ponto de conexão não significa que toda a extensão da propriedade esteja conectada.


O maior benefício em termos de eficiência é ter o sistema conectado em uma fazenda. “No momento que aumenta a pressão do óleo do motor de um trator, a máquina dá sinal para a administração da propriedade, e a concessionária já sabe que vai ter um problema”, diz Neto. Outro viés importante é a comunicação entre máquinas para evitar, por exemplo, que pulverizadores apliquem duas vezes um herbicida no mesmo lugar.


Mas a dimensão territorial do Brasil é um grande obstáculo para a conectividade no campo. As operadoras dão preferência para regiões com alta densidade demográfica, o que não é a realidade do meio rural. Um estudo do BNDES e da consultoria Mckinsey, encomendado pelo próprio governo, diz que até 2025 podem ser gerados US$ 21 bilhões com a conectividade no agro.

Um dos possíveis caminhos para melhorar a infraestrutura de telecomunicações nas áreas remotas do País é utilizar os recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), que já arrecadou aproximadamente R$ 22 bilhões. Inclusive, está tramitando no Congresso Nacional o projeto de lei, o PL 172/ 2020, da senadora Daniella Ribeiro, que modifica a Lei Geral das Telecomunicações para permitir que os recursos do Fust, inicialmente destinados à telefonia fixa, possam financiar a expansão da conectividade móvel em áreas urbanas e rurais.“A gente enxerga no PL uma grande possibilidade de destravamento. Destes R$ 22 bilhões acumulados, uma boa parte foi utilizada em governos anteriores para pagamento de dívida pública e apenas R$ 550 mil foram utilizados para a finalidade para a qual o Fust foi criado”, diz Medeiros.


Enquanto o arcabouço legal não muda, as montadoras têm se unido para driblar a falta de conectividade no campo e fazer com que as tecnologias embarcadas em suas máquinas possam ser inteiramente utilizadas pelos clientes. O ConectarAgro é um exemplo. Trata-se de uma iniciativa de oito empresas para promover uma solução aberta de internet no campo.


Mas é preciso frisar que as soluções de conectividade trazidas por montadoras de máquinas agrícolas não contemplam todos os tamanhos de produtores. “Os pequenos e médios produtores não conseguem fazer essas parcerias”, diz Medeiros. “Acreditamos na conexão como vetor do desenvolvimento regional, preservação ambiental, fixação do homem no campo e de segurança rural”, acrescenta.


Na opinião de Coutinho, a internet vai transformar todo o Brasil. “Além da agricultura, a conectividade vai se estender para outros grandes mercados comerciais, como pecuária, mineração, que estão em áreas remotas”.


Fonte: MediaLab Estadão


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