• Donario de Almeida

Santa Maratona pelo Agro


Em um ambiente amplo no centro de inovação do Inatel, no Sul de Minas, onze equipes disputaram por 48 horas na construção das melhores soluções para problemas de produtores rurais.

Durante um final de semana aconteceu em Santa Rita do Sapucaí, MG, o primeiro hackathon da cadeia do leite do projeto AgroUp, evento promovido pelo Senar e Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (FAEMG). Quando me falaram deste evento, e já sabendo da tradição leiteira do sul de Minas Gerais, pensei que a escolha do local estava relacionada a importância desta cadeia produtiva na região. Confesso que fiquei curioso para saber de onde viriam os participantes, já imaginando equipes de engenheiros, técnicos, desenvolvedores e empreendedores vindo de centros acadêmicos de grandes cidades. Estava enganado e completamente mal informado.


Quando chegamos na cidade, já na entrada, fiquei surpreso ao ver um grande complexo de prédios identificados como Incubadora Municipal de Empresas. Como assim? Aqui, no meio das lindas montanhas mineiras, uma incubadora de um governo municipal. Bem, seguimos no caminho ao local do evento e, novamente, surpresa, o hackathon estava acontecendo no Inatel – Instituto Nacional de Telecomunicações. Em uma cidade de 42 mil habitantes, distante 400km de Belo Horizonte, o que encontrei foi um ambiente acolhedor ao empreendedorismo, inovação e tecnologia. E o Hackathon AgroUp era lá, grata surpresa.


Em um ambiente amplo no centro de inovação do Inatel, onze equipes disputaram por 48 horas a construção das melhores soluções para problemas de produtores rurais. O foco esteve relacionado as pequenas e médias propriedades de produção de leite. Com muita música, conteúdo de apoio e mentoria, os jovens entrevistaram produtores, debateram alternativas, comeram muito, prototiparam, e ao final apresentaram seus aplicativos e soluções. Além dos 54 jovens participantes nas equipes, mais outras 30 pessoas estiveram envolvidas nos processos de apoio e mentoria. Uma tremenda mobilização de várias comunidades, lideradas pelo SenarMG.


Ao final o grande vencedor foi o projeto Leite Coin, com sua solução de moeda virtual lastreada em leite. Outras duas “empresas” interessantes propondo a gestão das vacas baseada em sensores e inteligência artificial. O uso destas competições para promover o desenvolvimento de soluções, no caso para a cadeia do leite do Sul de MG, pode não trazer resultado imediato. Improvável que daquelas ideias tenhamos em seis meses um produto ou serviço disruptivo. Mas ao ver aquele ambiente, e tudo que acontece ao redor, com o engajamento de estudantes, empresários e lideranças, fica claro que a sensibilização da comunidade é a grande riqueza destes movimentos.


A equipe vencedora apresentou uma solução de moeda virtual lastreada em leite

E quem sabe este primeiro Hackaton AgroUp, na cidade da Santa Rita, estimule outras regiões e centros com aptidão ao desenvolvimento do empreendedorismo, a promover ações de sensibilização como estas. A comunidade acadêmica distante dos problemas não consegue promover a evolução. As soluções para os nossos problemas precisam ter como base a real demanda e aplicabilidade, e isso só vai acontecer com a aproximação dos reais interessados. Além disso, abre portas para produtores em busca de renda, startups resolvendo problemas e investidores financiando e lucrando com este movimento. Uma Santa Maratona.

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